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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Grandes Discos que muita gente diz ter ouvido, mas bem poucos se lembram ou na verdade, não o ouviram mesmo, parte VII

Beastie Boys- Hot Sauce Committee Part II     
               


O Beastie Boys gravou três grandes discos na década de 90, a saber, "Check your Head" (1992), "Ill Comunication" (1994) e "Hello Nasty" (1998), todos trazendo um verdadeiro upgrade ao gênero hip-hop, misturando rap, rock, hardcore, jazz e eletrônica como poucos na música pop conseguiram fazer (nem mesmo Beck Hansen conseguiu misturar diversos gêneros tão bem). Agradaram fãs de todos estes gêneros, mostrando que eram tão bom nas letras, como também excelentes músicos (e com a ajuda do produtor Mario Caldato Jr.). Nos anos 2000, o BB, 'puxou o freio' gravando discos mais intimistas, como a homenagem à Nova Iorque pós-11 de Setembro, em "To the 5 Borroughs" (2004), com rap ao estilo old school, embora ainda soasse moderno com o uso de certos timbres eletrônicos. Em seguida, o totalmente instrumental "The Mix-Up" (2007), um tour de force ao talento musical dos BBs. Enquanto gravavam "Hot Sauce Committee Part I", um dos três integrantes do grupo, Adam Yauch, nome artístico MCA, falecia de câncer. Os dois integrantes restates, Ad Rock (Adam Horovitz) e Mike D (Michael Diamond), gravam então em 2011, o "Hot Sauce Committee Part II" (que conta com várias participações de MCA), que é o disco aqui explanado. O disco é aquilo que os BBs sempre fizeram de melhor, que é a mistura de diversos gêneros musicais, criando uma sonoridade única, usando instrumentos elétricos, acústicos, colagens, ruídos eletrônicos. Começando com o quasi-fuzz de "Make Some Noise", seguindo com "Non-Stop Disco Powerback", mais um no estilo do 'call-response', com base simples e vocais em eco. A terceira, "Ok", soa bastante rocktronic, e em certos pontos remete a um electro do início dos anos 80, mas tudo soando anos 2000. "Too Many Rappers", cheio de ruídos eletrônicos e base pesada  e que canta a bagagem musical do grupo, "Eu estou no jogo desde antes do seu nascimento/ E ainda posso estar cantando quando você estiver acabado/ Pensamento estranho, eu sei, mas minha perícia continua crescendo/  Nos anos 80,90,2000 e além/". A quarta, uma das minhas prediletas, "Say It", também com baixo pesado, vocais em fuzz, mais uma vez remetendo à rocktrônica. Então temos o dub de "Don´t Play no Game that I can´t Win", com levada tranquila e de muita personalidade, com vocal feminino especialíssimo, quase trip-hop. "Long Burn The Fire" remete a sonoridade de "Ill Comunication", porém mais contido (e melhor). O álbum chega as raias do krautrock com "Tadlock´s Glasses", que não empolga, mas chama a atenção pelos efeitos. Então temos a montagem setentista/hardcore de "Lee Majors Come Again" com refrão desgovernado (nem parece uma música de senhores do alto de seus quase 50 anos,,,,). E fechando com uma old school, mas 'old' soando 'new'.
Um dos melhores discos que ouvi dos anos 2010.

Ouça o disco na íntegra:

Link pra download: http://www.mediafire.com/download/cum08t0ujd2zb2j/Beastie+Boys+-+Hot+Sauce+Committee+Part+Two.rar

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Grandes Discos que muita gente diz ter ouvido, mas bem poucos se lembram ou na verdade, não o ouviram mesmo, parte VI

Kraftwerk-Trans-Europe Express (1977)

Quando o Kraftwerk gravou "Trans-Europe Express" eles já eram veteranos no campo da música eletrônica, isso em uma época em que a música eletrônica ainda engatinhava no mundo pop. Eles haviam absorvido todo o estudo dos precursores eletrônicos, em especial o maestro e compositor alemão Karlheinz Stockhausen, que fez alguns trabalhos interessantes no campo, mas muito mais teóricos do que realmente musicais. Por isso, a crítica da época por vezes escrevia que o Kraftwerk fazia 'anti-música', sem vida e mecânica, o que não é verdade. Apesar do ritmo ser realmente parecido com os 'tic-tacs' dos metrônomos, há boas melodias na obra do grupo. O disco comentado aqui trazia o grupo no seu auge, e talvez junto com  alguns trabalhos do italiano Giorgio Moroder, o nascimento da música eletrônica pop, que culminaria já na década seguinte e explodiria nos anos 90 e 2000. Claro, se a molecada de hoje for escutar Kraftwerk vai achar provavelmente um tédio, porque o grupo se considerava estudioso, quase considerado música erudita e fazia música como tal, por isso, a música dos alemães é só para os já iniciados, embora em "Trans-Europe Express" possua uma música cuja base foi utilizada dezenas de vezes, e falo da misteriosa "Hall of Mirrors". A faixa inicial "Europe Endless" é regida pela tradicional base mecânica da banda, mas ela hipnotiza o ouvinte, assim também como a faixa-título e "Metal on Metal".
O Kraftwerk faria apenas mais um disco relevante, o "Computer World" e produziria apenas um semi-hit mundial, "Das Model", cuja abertura é facilmente reconhecida. O legado do Kraft é inestimável: sua música tida como 'fria' e "mecânica' acabaria gerando alguns anos depois as raves, esse festival jovem da energia e da pulsação.

Link para download: http://depositfiles.com/files/db6ahu78i