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quarta-feira, 14 de março de 2012

Grandes discos que somente meia-dúzia ouviram, Parte VI

John Prine- "John Prine" (1971)


Eu não gosto de música country. Sempre me parece a mesma melodia e a mesma letra, com alguma variação aqui e acolá. Então quando fui baixar esse álbum de 1971, de um cantor/compositor que desconhecia por completo, já fiquei esperando algo que escutaria uma única vez e 'até logo e até nunca mais'. Surpresa para mim: John Prine mesmo sendo um cantor country, é bem além do gênero, mas sem fugir por completo da raiz deste. As letras são narrações sobre o cotidiano e sobre o mundo, frequentemente com um viés de protesto e melodicamente é muito interessante. Suave, mas incisivo. Em "Ilegal Smile", como o próprio título evoca, o narrador canta no refrão "Mas felizmente eu tenho a chave para fugir da realidade";  a tristeza de se envelhecer, corajosamente em "Hello in There", " Todos sabemos que velhas árvores vão ficando cada vez mais fortes/ e velhos rios vão ficando cada vez mais selvagens/ as pessoas idosas apenas crescem solitariamente/ esperando que alguém as diga "E aí, como vai?"", algo nada comum na tradicional música country. Um conformismo retirado do Eclesiastes (meu livro predileto da Bíblia, por sinal) em "Pretty Good": "Está tudo muito bem, mas na verdade, está como sempre esteve". Uma repulsão a juventude hippie da época em "Quiet Man", "Você tem novidades para mim/ Eu não tenho nada para você/ Não venha descarregar sua tristeza em mim/  Vá em frente e faça seja lá o que quiser fazer".  O drama dos veteranos de guerra (na época o Vietnã estava no auge), em "Sam Stone", que canta "Mas a morfina alivia a dor". Há também protesto anti-envolvimento dos EUA nas guerras mundo afora, "Your flag decal 
won´t get you into heaven anymore", um belíssimo tapa na cara do americano médio patriota "Seu adesivo da bandeira não o levará mais ao céu/ ele já está lotado por causa da sua guerrinha suja/ Agora Jesus não gosta mais de matanças (Excelente Ironia!), não importa qual que causa seja/ Então seu adesivo da bandeira/ não o levará mais para o céu". Minha predileta é "Flashback Blues", e este verso genial "fotografias sorridentes/ retiradas entre os tempos ruins".  Não bastasse todas estas preciosidades líricas, a música também é excelente. 


Recomendo, sem dúvida alguma.




 Link para download: http://www.4shared.com/rar/vcINo2Jr/John_Prine_-_John_Prine__1971_.html?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Letras antíteses de "Ai, se eu te pego", Parte II

Leonard Cohen, "Diamonds in the Mine" (1971)

O trovador canadense e um pessimismo lírico, de fato mais realista do que pessimista, eu diria. A letra inicia-se com o emblemático verso "The woman in blue, she´s asking for revenge", algo nada nada amistoso. No terceiro verso "The river is swollen up with rusty cans", que eu interpretaria como "o curso da vida está cheio de coisas repetidas ou estagnadas", ou seja, o sonho dos anos 60 terminara e tudo voltara ao que era antes. Depois desse 'lamento' inicial vem o belíssimo refrão, onde Cohen demonstra sua tese de que a revolução da juventude flower power fracassara :

"And there are no letters in the mailbox.
And there are no grapes upon the wine,
And there are no chocolates in the boxes anymore,
And there are no diamonds in the mine"

Cohen declama isso tudo com uma espécie de queixume misturado com desprezo, aliado a um backing vocal feminino que quase santifica seus versos.

Um grande hino do folk, dos anos 70 e de sempre.

Link para download: http://www.4shared.com/mp3/lXOOztN0/Leonard_Cohen_-_13_Diamonds_in.htm




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Letras antíteses de "Ai se eu te pego", Parte I

Don McLean- "Vincent" (1971)

Uma elegia ao pintor holandês Vincent Van Gogh, mestre do pós-impressionismo. Com uma melodia belíssima e versos literários como "With eyes that darkness my soul" ou a belíssima estrofe "Now I understand/ What you tried to say to me/ And how you tried to set them free/ They would listen they did not know how/ Perhaps they´ll listen now". 

Com uma letras dessas, não há banalidade que resista a qualquer análise.